Histórias e curiosidades sobre o Rally Dakar!

Em primeiro lugar, o nome não faz sentido:
Rally – Não é um rally, mas sim uma prova de Rally raid ou Endurance TT. Para terem uma noção, a distância cronometrada é superior à de um campeonato do mundo de rally!
Dakar – Desde 2009 que a prova não passa perto da capital do Senegal, aliás, nem sequer é no mesmo continente! Mais sobre isso lá à frente.
Tudo começou no final dos anos 70 quando o francês Thierry Sabine se perdeu de mota no deserto da Líbia e percebeu que aquilo não era para meninos! Decidiu então organizar uma prova a sair de Paris e a terminar em Dakar fazendo a partida logo a seguir ao Natal de 1978,  provavelmente para abater os doces da noite de consoada! Com cerca de 180 participantes, pode-se dizer que foi um sucesso.

Thierry Sabine na edição de 1986


Uma das personalidades mais curiosas do Dakar é Hubert Auriol, conhecido por ter sido a primeira pessoa a ganhar o Dakar em duas e quatro rodas. Menos conhecida é a história do ano anterior à sua primeira vitória, quando na edição de 1980 foi desclassificado porque a sua mota avariou e ele cruzou a meta de… táxi! Há que acabar a prova acima de tudo!
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Hubert Auriol em 1980, antes de ser desclassificado.


Em 1982, antes de Margaret Thatcher protagonizar a guerra das Malvinas, o filho dela protagonizou uma história bem engraçada. Mark Thatcher achou que por ter corrido em Le Mans não precisava de preparação nenhuma para fazer o Dakar.

“I’ve now raced in Le Mans and other things – this rally is no problem.”
“I did absolutely no preparation. Nothing.”
“Eu já corri em Le Mans e outras coisas – este rally não é problema.”
“Eu não fiz preparação nenhuma. Nada.”

Quando alguém diz isto, a história promete! Numa zona rápida, Thatcher, a navegadora e o mecânico seguiam juntos com um grupo maior quando o eixo traseiro cedeu e tiveram que parar. O grupo que ia com eles também parou, mas como não podiam ajudar, seguiram até ao fim, só que em vez de dizer que eles estavam 25km a este da chegada, disseram 25km a oeste. 3 dias depois foram declarados como desaparecidos com as buscas a envolver ao todo 4 países, 6 aviões militares, helicópteros e o exército argelino! Ao fim de 6 dias lá foram encontrados já com pouca comida. Ah, e para que não haja dúvidas, a mãe pagou as despesas das buscas do próprio bolso e não com dinheiro dos cofres do Estado!
Também nos anos 80, Ari Vatanen viu o seu Peugeot 405 T16 (a versão em esteroides do nosso 405 Mi16) ser roubado, para depois ganhar a prova… com moeda ao ar! A Peugeot dominava no ano de 1989, e para não haver confusão entre os pilotos, o presidente da equipa, Jean Todt, pegou numa moeda de 10 francos e decidiu-se assim o vencedor do Dakar! Fácil!
(Para que conste, o Vatanen escolheu coroa!)

Saltámos agora uns anos até 2008, quando a prova não se realizou por causa de ataques terroristas na Mauritânia. Na altura a prova chamava-se Lisboa-Dakar e iria partir da capital portuguesa pela terceira vez.
Para evitar situações destas no futuro, a organização aceitou o convite do Chile e da Argentina para receberem a prova em conjunto.
À conta disto os pilotos agora atravessam altitudes de 4600metros, que como podem ver pela quantidade de botijas de oxigénio, não deve ser nada fácil de respirar. Mas não são só os concorrentes que têm problemas de respiração, os carros perdem até 20% de potência com esta altitude!


E agora para terminar, o cor de rosa! É uma cor historicamente ligada à prova porque a meta costumava ser em Lac Rose, um lago a 30km de Dakar que por causa duma alga salina tem uma cor tão característica e brilhante que se pode ver do espaço! Conta-se que o lago é uma visão tão bonita, e que depois de duas semanas desgastantes, há motards que desatam a chorar!

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